Registro de Junho

Imagem simulando uma janela do windows XP com o texto "Registro de Junho"

E chegamos ao fim de Julho, longuíssimo Julho, com suas semanas intermináveis. Foi um mês difícil, com minha calopsita ficando bem doente e vários dias esperando que ela melhorasse. Mesmo agora que está estável, ela ainda não ficou 100%, e faz quase um mês dessa função.

Posso dizer com propriedade que o mito do artista que produz melhor enquanto está sofrendo é uma baita mentira. Sim, eu me agarrei na escrita e na tradução, mas não com aquela ânsia de produzir, em vez disso foi com o desespero daqueles que estão prestes a despencar no abismo. Era uma forma de me manter são e funcional, e ainda assim teve dias que eu só não queria levantar da cama.

Por padrão, eu tenho uma visão bem negativa de tudo. Por isso meu cérebro ansioso antecipa qualquer coisa que possa dar errado e, infelizmente, quando algo dá ruim, não é uma sensação de “Viu? Eu disse. Agora com licença, estou preparado”. É mais como se preparar para um incêndio, mas entrar em pânico e esquecer de todos os planos em meio ao fogo. Uma porcaria.

Para ser a cereja do bolo, em situações ruins tudo que eu faço parece péssimo. Tudo que escrevi e traduzi esse mês me deixa com um pé atrás, apesar de eu ter botado um esforço real e saber que está, no mínimo, mediano.

Chego ao final de Julho cansado, mas seguindo adiante. A tempestade não passou, porém os raios de sol atravessaram as nuvens mais escuras.

Novidades da Escrita

E dalhe quarto arco de Terra Fraturada. Estou explorando uma personagem bem difícil pra mim, porque, bem… segredo! Mas está sendo um desafio, e com a história se aproximando do fim, vou dando os pontos na trama, tendo uma visão do todo e descobrindo que algumas coisas não estão tão boas, ou que vou precisar acrescentar novos detalhes e construir alguns conflitos mais cedo no livro.

Também estou começando minha aventura pelo maravilhoso mundo do inglês! Escrevi um conto leve e bem-humorado, e minha meta para Agosto é conseguir dois contos, ou um que seja maior.

Novidades de Jogos, Leituras, e etc

Credo, leitura, eca! Brincadeiras à parte, minhas leituras foram muito dispersas esse mês. Comecei vários romances que larguei no meio do caminho, não por serem ruins, mas por não estar no estado mental certo para eles. No futuro talvez eu finalize e traga os comentários.

Quanto ao que concluí, li partes do volume quatro da revista Tales & Feathers, que tem uns contos bem leves e aconchegantes (Eram o meu alívio mental pós-almoço), e também li o maravilhoso Slayer of Dreams, da Beneath Ceaseless Skies volume 457, uma noveleta sobre um deus que se alimentava dos sonhos de seus súditos, deixando-os vazios e apáticos durante o dia, e o poder que nossos heróis têm sobre nós.

Também joguei o capítulo cinco de Deltarune. Ele tem uma temática oriental meio avulsa ao meu ver, mas é ótimo. Adorei o Flowery e a música tema da boss fight do capítulo. Porém, alguns detalhes da história estão me escapando porque já fazem *checada no google* OITO ANOS que lançou o primeiro capítulo. Vou ter que jogar tudo do zero quando sair a versão completa.

Registro de Junho

Imagem simulando uma janela do windows XP com o texto "Registro de Junho"

Ao abrir o documento para escrever o relato de Junho, eu percebi que lembro muito pouco do mês em si, e do que eu fiz. Lembro de partes soltas, algumas traduções, algumas sessões de escritas, mas muito pouco de como eu me senti durante esse período.

Acho que parte disso é por conta de eu ter espalhado muito as atividades. Tradução, preparação, escrita, leitura, junto com outras preocupações da vida, tudo ao mesmo tempo bagunça minha cabeça e faz ela expulsar algumas outras coisas. Para mim, Julho foi um longo mês que durou uma semana.

Foi tanta coisa na cabeça que acabei voltando um pouco ao meu vício de rede social, ao “doomscrolling”. Nos intervalos que eu tinha, a última coisa que eu queria era ler um livro, ou newsletter ou quadrinho. Muito mais fácil desligar o cérebro e ficar vendo reels no Instagram.

Mas não foi totalmente ruim. Esse meu tempo de cérebro inativo me permitia relaxar um pouco, e com a finalização de alguns cursos, as atividades vão estar mais focadas. Com sorte, me livro do vício em Julho, e trago mais coisas interessante por aqui.

Novidades da Escrita

A revisão do terceiro arco do Terra Fraturada foi finalizada. Infelizmente não consegui entrar muito de cabeça na escrita do arco seguinte, tive que reestruturar uma personagem e repensar alguns eventos.

Ainda assim, fiz progresso, e é isso que importa. Também estou satisfeito com o andamento do projeto, uma raridade.

Novidades de Jogos, Leituras, e etc

Com o anúncio da continuação, reli Gideon, a Nona. Eu tinha lido originalmente em inglês, logo antes de sair a tradução em PT-BR. É um livro muito bem-humorado e gostoso de ler. Juntar um bando de necromantes únicos (adoro os adolescentes e a fonte que usaram para representar algumas falas deles) em um planeta abandonado não tem como ser ruim. Ele tem suas tragédias e momentos tensos, com o mistério do Lyctordócio puxando a trama, mas a perspectiva de Gideon ajuda a aliviar o clima (em partes).

We Shall Now Begin Ethics é um mangá que comecei a ler anos atrás, quando ainda estava em lançamento. Como frequentemente acontece, eu esqueci de continuar, e só voltei agora. É a história de um professor de ética e as diversas turmas e alunos que ele acompanha e ajuda a resolver os problemas. E com “ajuda”, muitas vezes tudo que ele faz — e às vezes só pode fazer isso mesmo — é aconselhar, afinal, vários problemas são internos, e os externos são bastante delicados. Acho interessante a filosofia por trás de cada capítulo (Meu favorito sendo aquele em que um rapaz dorme muito tarde todos os dias porque é ansioso) e como o problema é resolvido, isso quando é resolvido.

Por fim, temos Sacred and Terrible Air, o livro de um dos criadores de Disco Elysium. Escrito na Estônia e sem uma versão oficial em inglês, a única forma de ler é baixando uma versão traduzida por fãs. É um livro que me deixa em conflito. Por um lado, a escrita cheira a Disco Elysium, tem aquele clima e aquele humor único, personagens complexos mas também um tanto caricatos. Por outro, sinto que faltou polimento, e isso pode ser por conta da tradução, ou estar no original. Conta a história de três garotos investigando o desaparecimento de quatro amigas. A investigação dura a vida inteira, começando aos treze e terminando lá depois dos trinta, quando o desaparecimento deixou marcas tão profundas e permanentes que a vida de cada um está praticamente arruinada. Por mais que tenha sido um livro interessantíssimo, o final foi bem abrupto e fiquei sem entender bem.

Registro de Maio

Imagem similar a uma janela do Windows XP, com borda azul, e botões de minimizar, maximizar e fechar. No centro está escrito REGISTRO DE MAIO.

Maio! Com ele finalmente chegou o frio e pude tirar meus cobertores do armário para ficar bem aconchegado na cama.

Estou seguindo “firme” no meu plano de me tornar tradutor. Entre aspas porque apesar dos cursos, leituras e treinos, sinto que ainda faço pouco e que deveria fazer mais. Descanso é transformado em relaxamento, diversão e socialização viram desperdício. Sei que posso fazer mais, mas também sei que é preciso descansar, deixar o conteúdo do dia se assentar na cabeça.

De certa forma, sou assim desde que entrei no mercado de trabalho. Algum senso de dever me obriga a fazer meu trabalho da melhor forma possível, entregar na data e não abandonar a galera que estavam lá fazendo hora extra. Não enxergo isso como se fosse algo ruim. Cumprir prazos é… bem, o mínimo que qualquer pessoa deveria fazer. Dar uma mão para colegas é ter empatia. Tentar atingir excelência em entregas se origina em gostar do que se faz.

Porém, essas qualidades são reforjadas como armas e apontadas na nossa cara. Se tornam cobranças ferrenhas vindo tanto de nós como dos outros, e de repente você só pode descansar se todos também estão descansando. Não quero discutir a origem disso, não tenho essa qualificação.

O que eu quero falar é sobre essa cobrança quando não tem ninguém olhando. Sim, eu tenho um prazo para começar a ganhar dinheiro, mas uma vozinha insistente na minha cabeça me diz que eu deveria ser mais rápido. Uma máquina incansável e imparável de estudo e escrita e tradução. Fazendo tudo com qualidade máxima.

Nessas horas, tento pensar que todos tem sua jornada. Mas e se minha jornada levar para um caminho precário? Fadado a desabar a não ser que eu me apresse antes do chão erodir.

Não tenho uma solução para esse problema, apenas estratégia. A atual é definir horários para começar e parar, assim controlo melhor a autocobrança. Se me sinto especialmente disposto, continuo por mais algum tempo, mas tento evitar. Não quero fazer com que meu “chefe interior” se acostume.

É difícil se adaptar agora que não tenho uma cobrança tão direta, mas vou indo como posso. Um pouco de cada vez.

Novidades da Escrita

Arco 3 do projeto Terra Fraturada foi concluído, e estou revisando ele. Sinto que fazer uma revisão de inconsistências a cada arco concluído me faz ter mais controle do processo e fico mais satisfeito com o andamento e resultado do livro.

Se tudo seguir conforme planejei, faltarão 2 arcos para encerrar. O que deve levar uns 2 a 3 meses, e então entramos na revisão do livro como um todo e todas as intermináveis edições até ficar minimamente agradável de se ler.

Novidades de Jogos, Leituras, e etc

Fortunato Poeira foi o destaque de Maio para mim. Que livro gostoso de se ler, e ao mesmo tempo finalizar ele deixa aquele desconforto de um luto. Sempre me surpreendo como a Anna Martino consegue fazer personagens tão vivos e com falas tão marcadas que eles parecem alguém que eu poderia encontrar virando a rua.

No início do mês, joguei Everhood. Eu tinha um pouco de medo por ser um jogo de ritmo e eu ser péssimo neles, mas no nível normal a dificuldade estava razoável. Gostei bastante do jogo, psicodélico do jeito que eu gosto, com umas músicas incríveis e personagens carismáticos. Os finais opcionais eu pulei porque esses sim eram difíceis.

Estou seriamente pensando em reler a Saga do Assassino. Já fazem mais de cinco anos que não leio, e queria ver como está minha percepção dos livros agora. Mas antes quero dar vazão nos nacionais que estão na minha lista há algum tempo e não terminei ou sequer comecei.

Relato de Abril

Se alguém me segue no Bluesky e lê meus posts, sabe que venho fazendo um diário de escrita desde o início do ano. Como consegui manter ele por vários meses, resolvi dar mais um passo e montar um relato consolidado por aqui, além de trazer outros detalhes.

Sempre quis fazer isso, mas minha antiga profissão sugava qualquer vontade de me comprometer com qualquer outra tarefa. Só escrever consumia o restante da minha energia. Manter um blog, fazer divulgação, gravar vídeos para Instagram e Tiktok? Sem chance.

Sei que tem muitos autores que conseguem fazer isso e, sinceramente, um parabéns de verdade para eles, os considero meus super-heróis da vida real. Eu não conseguia. Era tempo demais gasto com algo que traria um retorno financeiro ínfimo em comparação com meu trabalho oficial, ainda que o retorno emocional pudesse ser, em um futuro que tudo desse certo, muito maior.

E bem, digamos que minha demissão no início do ano após um período conturbado no trabalho me jogou em uma crise das brabas. Eu poderia continuar na programação, mas minha vontade era nula. Ou eu poderia arriscar uma carreira no mercado literário. E por essa newsletter, acho que já sabem qual foi minha resposta.

E cá estou, escrevendo todo dia útil, estudando (inclusive, se tiverem recomendações de livros ou materiais sobre tradução literária, deixem nos comentários), pensando, me desesperando, compondo esse relato.

Antes que o clima fique mais pesado, vamos passar ao que importa.

Novidades da Escrita

Predadores 2 ficou de canto, é uma história pesada e delicada demais para eu lidar no momento. Então venho focando no projeto Terra Fraturada, um livro único, mais leve e mais amigável, mas comprido. Comecei no início do ano e pensei em cinco partes para ele. Estou agora no meio da terceira, mas a velocidade está boa o suficiente para eu acreditar que termino o rascunho até o final do ano. Está como prioridade número 1 pra mim.

Além disso, estou elaborando um conto para a gringa. Vai ser bom? Não sei, mas eu queria escrever alguém transformando a rotina em speed run e vou aproveitar o momento para isso.

Novidades de Jogos, Leituras, e etc

Li os dois primeiros livros de Carl, o explorador de masmorras. Fazia tempo que eu não pegava uma série tão divertida. Mesmo eu odiando esse estilo de LitRPG (atributos, menus e tudo mais), ele trabalha muito bem com isso. Os protagonistas são carismáticos, e acompanhá-los em cada andar é um misto de tensão e gargalhadas. Adorei a tradução da Letícia Werner, os nomes de chefões ficaram incríveis e imagino o trabalho danado que deu para adaptar algumas referências. Para comprar, clique aqui.

Também li Mãe, irmã, garota mágica para fazer um vídeo. Já tinha lido ele um tempo atrás, mas precisei conferir novamente alguns detalhes. Se quiser conferir o resultado, está aqui no Instagram. Para comprar, clique aqui.

Terminei minha leitura de Yumi e o pintor de pesadelos. Um livro bem mais íntimo do Brandon sobre o fazer da arte, expectativas que os outros têm de nós, expectativas que temos sobre nós mesmos, e o que fazer quando a realidade e expectativa se chocam de maneira destrutiva. Para comprar, clique aqui.

De games, finalizei Bioshock, o primeirão. Muito gostoso sair dando porrada e congelando os inimigos com chave de boca no meio de uma cidade submarina em colapso. A reviravolta do final foi bem inesperada.

Já na parte de animes, terminei de assistir O verão em que Hikaru morreu. Tenho certo preconceito com animes de horror, eles raramente me pegam. Este foi diferente. A mistura entre horror de cidade pequena, um romance que tem tudo para dar errado e crenças bizarras caiu como uma luva. Além disso, o monstro principal foi muito bem desenvolvido. No aguardo da segunda temporada.

Para finalizar, estou ansioso para ver no cinema o final de Circo Digital.