
Ao abrir o documento para escrever o relato de Junho, eu percebi que lembro muito pouco do mês em si, e do que eu fiz. Lembro de partes soltas, algumas traduções, algumas sessões de escritas, mas muito pouco de como eu me senti durante esse período.
Acho que parte disso é por conta de eu ter espalhado muito as atividades. Tradução, preparação, escrita, leitura, junto com outras preocupações da vida, tudo ao mesmo tempo bagunça minha cabeça e faz ela expulsar algumas outras coisas. Para mim, Julho foi um longo mês que durou uma semana.
Foi tanta coisa na cabeça que acabei voltando um pouco ao meu vício de rede social, ao “doomscrolling”. Nos intervalos que eu tinha, a última coisa que eu queria era ler um livro, ou newsletter ou quadrinho. Muito mais fácil desligar o cérebro e ficar vendo reels no Instagram.
Mas não foi totalmente ruim. Esse meu tempo de cérebro inativo me permitia relaxar um pouco, e com a finalização de alguns cursos, as atividades vão estar mais focadas. Com sorte, me livro do vício em Julho, e trago mais coisas interessante por aqui.
Novidades da Escrita
A revisão do terceiro arco do Terra Fraturada foi finalizada. Infelizmente não consegui entrar muito de cabeça na escrita do arco seguinte, tive que reestruturar uma personagem e repensar alguns eventos.
Ainda assim, fiz progresso, e é isso que importa. Também estou satisfeito com o andamento do projeto, uma raridade.
Novidades de Jogos, Leituras, e etc
Com o anúncio da continuação, reli Gideon, a Nona. Eu tinha lido originalmente em inglês, logo antes de sair a tradução em PT-BR. É um livro muito bem-humorado e gostoso de ler. Juntar um bando de necromantes únicos (adoro os adolescentes e a fonte que usaram para representar algumas falas deles) em um planeta abandonado não tem como ser ruim. Ele tem suas tragédias e momentos tensos, com o mistério do Lyctordócio puxando a trama, mas a perspectiva de Gideon ajuda a aliviar o clima (em partes).
We Shall Now Begin Ethics é um mangá que comecei a ler anos atrás, quando ainda estava em lançamento. Como frequentemente acontece, eu esqueci de continuar, e só voltei agora. É a história de um professor de ética e as diversas turmas e alunos que ele acompanha e ajuda a resolver os problemas. E com “ajuda”, muitas vezes tudo que ele faz — e às vezes só pode fazer isso mesmo — é aconselhar, afinal, vários problemas são internos, e os externos são bastante delicados. Acho interessante a filosofia por trás de cada capítulo (Meu favorito sendo aquele em que um rapaz dorme muito tarde todos os dias porque é ansioso) e como o problema é resolvido, isso quando é resolvido.
Por fim, temos Sacred and Terrible Air, o livro de um dos criadores de Disco Elysium. Escrito na Estônia e sem uma versão oficial em inglês, a única forma de ler é baixando uma versão traduzida por fãs. É um livro que me deixa em conflito. Por um lado, a escrita cheira a Disco Elysium, tem aquele clima e aquele humor único, personagens complexos mas também um tanto caricatos. Por outro, sinto que faltou polimento, e isso pode ser por conta da tradução, ou estar no original. Conta a história de três garotos investigando o desaparecimento de quatro amigas. A investigação dura a vida inteira, começando aos treze e terminando lá depois dos trinta, quando o desaparecimento deixou marcas tão profundas e permanentes que a vida de cada um está praticamente arruinada. Por mais que tenha sido um livro interessantíssimo, o final foi bem abrupto e fiquei sem entender bem.