Resenha – Máscaras para os Mortos

Máscaras para os mortos é uma fantasia sombria, e faz jus ao gênero. Desde o começo ele cria um clima pesado e incerto em um mundo cruel. Este clima se mantém pelo livro inteiro, e isso se vê nos detalhes, desde as descrições de deformidades em criaturas monstruosas até diálogos e relações entre os personagens.

Os primeiros capítulos são lentos, focando na explicação do mundo e dos protagonistas. Entendo que por se tratar de um mundo novo, explicações são necessárias, mas talvez fosse possível atenuar os infodumps espalhando-os mais ao longo da narrativa. Porém, quando o livro pega no tranco, se torna mais dinâmico, os infodumps diminuem consideravelmente e a leitura se torna prazerosa.

A história de Hakim, um dos protagonistas, me pareceu um pouco desinteressante no início, mas conforme a trama se desenrola, o personagem em si se torna muito mais interessante e proativo, indo atrás de mistérios e conspirações que ameaçam o reino de Var Khalad.

Em compensação, a história de Moira deslancha desde o início, por apresentar uma situação mais difícil e ameaçadora à personagem, e por consequência, dar a ela um objetivo claro. A constante mudança que Moira sofre ao longo do livro cobra o preço em seu psicológico, que se torna cada vez mais frio, e a garota termina o livro irreconhecível. E para mim, pelo menos, parece que até se esqueceu que procurava por sua família.

É impossível não falar também de Sev, que apesar de possuir poucas cenas, me chamou muito a atenção por ser tão (ou até mais) carismático que os protagonistas. O ladrão velho, com problemas de coluna que arquiteta um roubo magnífico, por vezes é o que move a história de Moira, e justamente por causa disso acabo considerando ele um dos protagonistas. Como todo bom ladrão, ele não chama a atenção nos eventos grandes, mas seu dedo está sempre em algum acontecimento.

Os diferentes tipos de magia também chamam a atenção, tanto por sua criatividade quando pela forma bizarra com que funciona. A taumaturgia utiliza-se de fluidos corporais injetados para dar diferentes habilidades aos seus usuários, os taumaturgos. A necromancia pode parecer clichê, mas a meu ver, o autor deu aplicações criativas o suficiente para superar esse problema. Também há outras magias pouco explicadas no momento, mas imagino que terão seu destaque em obras futuras.

Não posso deixar de comentar sobre a qualidade técnica. Para uma obra independente, não deixa devendo em comparação à publicações tradicionais. O vocabulário rico do autor também merece destaque (e agradeço ao kindle pelo dicionário embutido), pois sabe-se que construir um bom vocabulário requer muita leitura e pesquisa. Obviamente, ele não é livre de defeitos. Existem alguns poucos erros de português, mas não atrapalham na apreciação da obra. Acredito que o autor poderia ter focado um pouco mais em demonstrar a emoção dos personagens, por vezes acaba resumindo demais o que os personagens sentem e sinto que uma atenção mais cuidadosa a isso aumentaria a qualidade geral.

Além do mais, o preço está super em conta neste momento, quem tiver interesse, aproveite.

Onde comprar: Amazon

2 comentários em “Resenha – Máscaras para os Mortos

  1. Comentei lá no skoob, mas comento aqui denovo. Fico muito feliz que tenha gostado da leitura, e agradeço pelas críticas construtivas! Apontar esse tipo de detalhe ajuda muito a melhorar a escrita!

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    1. Obrigado! Como alguém que aspira a publicar um livro, sei bem o quanto uma crítica pode ajudar o autor. Mal terminei de ler e já estou ansioso pelo segundo volume.

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