Pequeno Ladrão

Mais um conto! Escrevi esse como parte de um grupo de escrita. A temática era livre, só deveria obedecer a regra de que o personagem principal não poderia falar. Dessa vez eu trouxe uma arte junto para dar um pouco mais de cor e vida para a história. Se quiser visualizar o conto em pdf, pode baixá-lo através deste link.

O camundongo invade um escritório iluminado pela luz da lua. Passa por pilhas de livros no chão, desviando deles o rabo sujo de tinta fresca. Sobe em um caixote de madeira, pula no assento almofadado, escala o encosto e salta para cima da escrivaninha.

Se aproxima de uma caixa de madeira com flores entalhadas e trancada por um cadeado. Coloca as patinhas dentro da fechadura e as remexe até ouvir um clique. No interior do recipiente encontra uma joia vermelha brilhante. O rato a pega, virando-a de um lado a outro.

O cômodo é iluminado. O roedor se vira, encontrando na porta uma mulher em suas roupas de dormir; um orbe luminoso flutua ao seu lado. A mulher o encara, levanta uma sobrancelha e depois franze o cenho, movimentando devagar a mão até a cintura. De lá, puxa uma varinha e aponta na direção do rato, que pula ao chão logo antes que um símbolo arcano surja e dispare um raio, atingindo a escrivaninha e lançando lascas de madeira queimada ao redor.

O camundongo coloca a joia na boca e aterrissa nas quatro patas, correndo para longe do móvel destruído. Mais ataques são lançados, atingindo o chão e os livros. O ladrãozinho nota uma tapeçaria pendurada próxima a janela e corre para lá. Pula em sua direção e se agarra nela, apenas para largar momentos depois, quando uma nova magia atinge o tecido. Não demora para o fogo tomar conta.

A mulher grunhe e brande a varinha na direção das chamas. O rato não perde tempo e foge do cômodo. Sua tranquilidade não dura muito e logo é perseguido novamente.

Passam pelo corredor, onde vasos são destruídos, pinturas são estragadas e paredes implodem conforme o roedor esquiva de cada um dos ataques. O caos se espalha por toda a mansão até que os envolvidos chegam no hall de entrada, onde a porta para a liberdade está entreaberta.

O rato avança até a saída, porém, antes que a alcance, a porta se fecha, trancando até mesmo a fechadura. O fujão decide correr para a esquerda, contudo, uma parede de pedra se ergue, impedindo sua passagem, ao tentar a manobra na outra direção, outra parede. Em um piscar de olhos, não há para onde seguir senão para trás.

Ele se vira para a bruxa, ficando em pé sob as patas traseiras e levantando as dianteiras. A mulher, com o peito subindo e descendo em ritmo frenético, sorri com o canto da boca e se agacha, estendendo a mão.

O rato puxa a joia boca afora enquanto sua cauda se move rapidamente. Segundos depois, enfia a gema na boca e fica sob quatro patas.

A bruxa exibe uma carranca e brande sua varinha. Um símbolo arcano surge e um raio é projetado na direção do animal. A magia, no entanto, dá meia volta quando algo brilha logo atrás do alvo. O disparo passa a centímetros do rosto da mulher, fazendo-a cair de cócoras; um rombo se abre na parede e lança poeira para todo lado.

O camundongo passa por sua vítima e foge pela recém-aberta saída, onde a grama é alta e a escuridão da noite o camufla.

Não demora muito para que o ladrão se afaste da mansão e chegue até um homem de vestes pretas. Ele sobe pelas roupas até chegar na altura do ombro, botando para fora a joia. O sujeito guarda o objeto no bolso e alcança um pequeno pedaço de bolacha para o rato, que o devora com avidez.

O homem acaricia a cabeça do companheiro e passa uma folha de papel no rabo dele, removendo os traços de tinta que sobraram. Então se afastam, deixando para trás a mansão e os gritos de frustração que preenchem a madrugada.

Pequena Estrela Brilhante

Voltando agora a publicar os contos. Conforme prometido, vou tentar publicar um por mês. Tentei fazer algo mais emocional neste aqui. Como sempre, se quiser visualizar o conto em pdf, pode baixá-lo através deste link.

Conheci minha pequena estrela brilhante há muito tempo. Mesmo desejando-a, eu estava confusa, talvez até assustada. O que exatamente eu faria com aquela estrela? Seria eu a pessoa mais capaz para cuidar dela? Ela brilharia para todos verem?

Nunca fui capaz de responder tais perguntas, pois o mundo se move mais rápido do que as pessoas e precisei correr atrás dele para fazer o que pudesse ser feito. Quando a estrela chegou, foi como se minha vida finalmente saísse do breu diário. Tudo, apesar de novo, era claro, vivo e movimentado. Teve muita correria, vezes em que eu pensei ser incapaz, indigna daquilo que tinha em minhas mãos, apenas para me arrepender momentos depois e desejar nunca mais ter tais pensamentos.

Eu tenho tantas memórias, tão boas e alegres, tristes e frias, todas tão importantes e pequenas, detalhadas. A primeira vez que andou se destaca especialmente até hoje. Aqueles pés diminutos erguendo um corpo ainda instável, um para a frente e depois o outro, em rápida sucessão. Tão rápido como começou, ela caiu. Talvez nem tenha durado mais que dois segundos, mas até hoje essa memória sobrepõe tantas outras de momentos que duraram horas, mas que minha estrela não estava presente.

Minhas partidas sempre eram complicadas, um desequilíbrio preenchia meu ser, mas não foi nada comparado a quando ela partiu pela primeira vez. Depois de muita pesquisa, perguntas que me faziam parecer uma interrogadora da polícia, conversas com outros pais, finalmente fui capaz de escolher uma creche e deixar minha estrela lá. Aquilo sim foi nervosismo, um dia inteiro praticamente sem trabalhar, olhadas frequentes ao relógio, demandas ignoradas e ligações para a creche. E quando voltei para buscá-la, lá estava, como sempre esteve. O segundo dia não foi ausente de ansiedade, nenhum foi na verdade, mas aprendi a lidar com a ausência, a confiar na creche, naquelas pessoas estranhas que cuidavam da minha estrela enquanto eu não podia.

Ela cresceu, ficou esperta, até demais. Tinha uma mente igual um raio, uma hora aqui, outra hora ali. Perguntas e perguntas, precisei dar meu jeito de responder a maioria delas. Porém, mais uma vez eu era limitada em minhas capacidades e ficou ao cargo da escola ensinar muitos outros assuntos. Era estranhamente curioso e até engraçado como sua mente continuou afiada, mas parte da empolgação sumiu ao lidar com professores.

A tão grande questionadora de tudo se aquietou, mas seu brilho estava lá, pronto pra ser direcionado a assuntos que lhe interessavam. E eu a vi brilhar mais que tudo, mais que qualquer estrela no céu, quando começou a cantar. Eu nunca entendi de música, nem ao menos um pouco. Completamente sem ritmo, como dizia meu marido. Mas eu não precisava entender de música para sentir a voz da minha estrela, nunca precisei. Bastava fechar os olhos e se deixar levar. Não me importei muito se ela era boa ou ruim, eu estava apenas contente de ver sua luz alcançar níveis tão intensos.

Nem tudo são flores, porque estrelas tem seu lado obscuro também. As vezes esse lado aparecia por coisas simples, mas que desencadeavam alguns dias de mau humor, caretas e silêncio. Às vezes eram as notas, outras eram o comportamento. Até discutimos uma vez por conta do namorado. Tempos conturbados esses, mas todos foram superados e a luz de minha estrela sempre voltava.

E é por isso, por tudo isso que senti e passei, que vivi e imaginei, que sonhei. Por tudo isso, eu me pergunto, por que minha estrela teve que ser levada? Por que o mundo, a vida em si, consegue ser tão cruel? Onde está minha estrela?

É tudo tão cinza agora, tão silencioso e de alguma forma, barulhento. Por que não tentaram mais? Fui a única que ficou com ela até o fim. Nem doutores ou meu marido insistiram até o fim. “Não temos mais o que fazer”, “Por favor, descanse um pouco”. Todos eles! Malditos!

O que eles não sabem é que eu ainda não desisti. Não vou parar. Eles estão errados, pois ela não se foi para longe, apenas precisam saber onde olhar. Cegos diante de tamanha sabedoria científica que carregam. Cegos para o que realmente importa. Eu vou olhar em tudo, vou encontrá-la e trazê-la de volta, porque minha pequena estrela deve continuar brilhando.

Primeira Publicação em Revista e Metas para 2021

Publicação

Primeiro, eu gostaria de anunciar meu conto “A Caverna” foi selecionado para a 7ª edição da revista Literomancia. Sinceramente, é algo que me deixa muito feliz e serve bem para marcar o início de um ano em que pretendo me dedicar mais à escrita. Quem quiser dar uma conferida, pode acessar a página por aqui https://revistaliteromancia.wordpress.com. É de graça e diversos outros contos aparecem na revista, então é um prato cheio para quem gosta de acompanhar ficção especulativa.

Metas

As metas não são nada grandiosas ou impressionantes. É mais para eu ter uma ideia do que fazer ao longo do ano e ajeitar coisas que deveria ter feito há algum tempo. Sem mais delongas, vamos lá.

Frequência de Posts

Atualmente não tenho frequência alguma no que posto aqui, mas mais por falta de planejamento do que desinteresse mesmo. Vou tentar publicar ao menos algum conteúdo por mês. Poderá ser resenha, que eu gosto de fazer mais para dar visibilidade a algum livro recente ou pouco conhecido (apesar que resenhei alguns bem conhecidos), ou uma história, onde tentarei sempre ter uma temática ou algo novo para mostrar.

Também vou tentar (foco na palavra tentar) comissionar algumas artes para incrementar as histórias. Acho que fica bacana botar uma representação visual de monstros ou seres que descrevo.

Projetos

Tenho atualmente 3 projetos em andamento. Um deles é um livro, trabalhei nele nos últimos anos e está nas etapas finais. Com sorte eu lanço ele no primeiro semestre e anuncio aqui. Vai ser só e-book e vou tentar colocar um preço bacana, algo entre R$7 e R$15. Anunciarei por aqui quando lançar.

O segundo é outro livro, que se tudo der certo, termino o manuscrito ainda esse ano. Sendo o meu segundo livro, vou tentar dar uma incrementada nele com alguns desenhos, mas não vou anunciar muito sobre ele.

O terceiro é uma combinação de livro e contos que irei publicar aqui ao longo do tempo. Como fantasia sempre foi meu foco, estou aos poucos elaborando um universo ficcional e pretendo ir mostrando ele aos poucos. Introduzindo raças, a sociedade, as particularidades do mundo. O livro mesmo eu só vou escrever no final, quando já tiver o mundo elaborado e uma história na cabeça. Inclusive, o conto publicado hoje se passa nesse universo.

Exame

Se quiser visualizar o conto em pdf, pode baixá-lo através deste link.

Do topo de uma casa de dois andares, Urin observava o mercado de Estrinia, montado uma vez por semana para mostrar as mercadorias de comerciantes e produtores da região. As peles de animais caçados, vegetais e plantas eram organizadas em estandes de uma praça barrenta. Aqueles que tivessem azar exibiam suas mercadorias no chão, colocando-as por cima de algumas peles velhas. Ali os mercadores tentavam atrair os clientes de diversas formas, seja gritando sobre as qualidades de seu produto, ou sobre os defeitos do produto dos outros. Era pouco depois do meio-dia e a multidão de clientes tinha alcançado seu auge, ainda assim era incapaz de preencher toda a praça, que foi projetada para conter o dobro de pessoas.

Urin bocejou, coçou os olhos e olhou para as saídas do mercado. Foi então que viu um garoto, de no máximo dez anos, com roupas maltrapilhas e magro como um cão sem dono, sair correndo do mercado, passando por diversas pessoas e desviando de um cavalo. Atrás dele vinham dois homens, um deles era um velho com uma barriga saliente, o outro um homem com corpo musculoso e um porrete na mão. O olhar de Urin focou no garoto, ele estava subindo uma rua irregular e cheia de pedras soltas, se seguisse por ela, chegaria na periferia da cidade.

Pulando e correndo de construção em construção, Urin seguiu o garoto. Seus passos eram cuidadosos, evitando telhas quebradas ou cheias de limo, e apesar do cuidado, conseguia manter o ritmo do garoto. Olhou para trás por um momento, vendo que o homem truculento não estava mais lá, o garoto era perseguido somente pelo velho, que gritava a plenos pulmões:

— Alguém pegue ele! Ladrão!

A população demorava a reagir, notando o garoto só depois que já havia passado por eles, ou então nem reagia e seguia com seus afazeres. A rua começou a afinar, o garoto começou a pechar em algumas pessoas, escapou por pouco de ser pego por uma delas, e decidiu entrar em um beco.

Urin estalou a língua, o beco não tinha acesso por cima, somente pelos lados. Correu até onde seria a saída do garoto e aguardou, mas, passados alguns segundos, nada aconteceu. Urin suspirou, foi até uma ruela pouco movimentada e desceu dos telhados, correndo de volta para o beco. Ao chegar perto dele, notou no meio os dois homens e o garoto, se aproximou da entrada e ficou apenas observando.

O garoto estava encolhido no chão, de costas para a parede. O velho estava na outra ponta do beco, arfando, perto de alguns panos velhos e sujos. O truculento estava perto do garoto, chutou sua barriga algumas vezes e depois o levantou pelo colarinho da roupa, rasgando-a no processo. Desferiu um soco na face do garoto e o chacoalhou, estava prestes a dar um outro golpe.

— Chega — disse o velho, respirando fundo em seguida e se aproximando dos dois.

O truculento parou na mesma hora, a mão ainda no ar, em posição de ataque. O garoto, com um arroxeado tomando o lado esquerdo de sua face, próximo ao olho, virou a cabeça para o velho, mas nada falou.

— Devolve. — O velho estendeu a mão.

— Devolver o quê? — perguntou o garoto com voz fraca, olhando para a mão do velho.

— O que você roubou de mim, seu merdinha. — O velho se aproximou e se agachou na altura do garoto. — Acha que não vi?

— Não roubei nada.

As palavras do garoto foram seguidas de outro soco em sua face. O truculento largou ele no chão e o espancamento continuou. Quando o truculento sacou o porrete, Urin entrou no beco soltando assovio alto. Todos pararam e olharam para ele.

— Vai matar o garoto com isso — falou Urin, caminhando até ficar próximo dos homens. Tinha aproximadamente quinze anos e, com seu corpo magro, parecia muito pequeno em relação ao truculento.

— É pra ele aprender a não roubar — respondeu calmamente o velho, voltando a olhar para o garoto. O truculento estava prestes a continuar.

— O que ele roubou? — perguntou Urin, tateando uma bolsinha de couro na sua cintura que tilintou ao toque.

O velho voltou a olhar para ele, encarando-o por alguns segundos. Um sorriso tomou o canto de seu rosto, então falou:

— Dois salames e um pão novinho.

Urin franziu o cenho, então tirou a bolsa da cintura e começou a retirar moedas de dentro dela.

— Isso dá o quê? Trinta bronzes?

O velho assentiu. Urin tirou o equivalente a quarenta bronzes da bolsa, se aproximou do velho e lhe entregou o dinheiro. O velho contou tudo, então assentiu para o truculento. Os dois caminharam para fora do beco.

— Isso aí — o velho olhou para o garoto — não vale um salame.

Urin olhou para o garoto no chão, todo encolhido e com machucados pelo corpo, e o ajudou a se levantar. As pernas do garoto falharam e ele teve que se apoiar na parede, com cheiro de mijo, para se manter em pé.

— Tu quer morrer, garoto? — falou Urin, aumentando o tom de voz.

— Desculpe. — O garoto olhou para baixo.

— Então?

Ele olhou para os panos velhos no beco. Urin assentiu, foi até lá e puxou os panos, revelando um salame. Pegou, olhou dele para o garoto, então perguntou:

— Por que deixou aqui?

— Pra pegar depois.

Urin sorriu, se aproximou do garoto e o pegou no colo.

— O que tá fazendo? — Os olhos do garoto estavam arregalados.

— Você passou.

— Mas eu…

— Fez o que eu pedi. — Urin começou a caminhar para fora do beco. — Bem-vindo à gangue, Nils. Vou te mostrar como ser um ladrão de verdade.

Mal entendido

Se quiser visualizar o conto em pdf, pode baixá-lo através deste link.

Para tudo havia um limite, e para Gabriela a situação tinha ultrapassado, e muito, esse limite. Passara meses trocando mensagens e carícias com Rafael. E qual foi sua recompensa? Um pé na bunda quando a tal da Ana apareceu. Seus punhos cerravam e a pistola no bolso de sua jaqueta ganhava um novo peso só de lembrar dos dois.

Não foi difícil entrar no prédio do maldito, ela conhecia o porteiro e bastou uma desculpa esfarrapada para que ele abrisse o portão. Uma vez em frente ao apartamento dele, Gabriela tirou do bolso a chave da porta, roubada habilmente no dia em que foi dispensada, e destrancou a porta.

Abriu uma fresta da porta e olhou através dela. A luz da sala estava desligada, o apartamento estava silencioso, até demais. Seria até melhor que os dois estivessem fora, Gabriela simplesmente esperaria lá dentro e escolheria a melhor posição para ficar. Ensaiou este momento durante os dias anteriores, já sabia o que fazer e o que falar.

Foi até a sala e notou que a luz do quarto estava acesa, se aproximou um pouco do quarto e ouviu alguns grunhidos vindo de lá. Sentiu o coração batendo cada vez mais forte, uma força desconhecida parecia tomar conta dela. Apesar de tudo, essa era a situação ideal, o momento de amor dos dois acabaria em desastre, exatamente como ela queria. Caminhou com passos leves até o quarto e viu lá dentro, na parede, uma sombra, estava em pé e parecia ter algo na mão. Gabriela agora sabia onde atirar primeiro.

Gabriela pulou dentro do quarto e começou a atirar. O recuo da arma não existia para ela, sua mira foi precisa e mortal. Só parou quando a pistola ficou sem munição, o corpo de Ana estava no chão, espalhando sangue pelo piso. Gabriela sorriu e cuspiu em direção ao corpo, notando pela primeira vez que o objeto nas mãos de Ana era um chicote com espinhos cheios de sangue. Ela franziu o cenho e olhou em volta, finalmente vendo Rafael.

Ele estava na cama, nu e de olhos fechados. Por todo o seu corpo haviam ferimentos, alguns rasos, outros profundos o suficiente para expor pedaços da carne. Gabriela olhou de Rafael para Ana, levou um momento para entender o que se passava ali. Ela caminhou até a cama, se curvou até os ouvidos de seu antigo amante, e sussurrou: – Bem feito, deveria ter escolhido melhor seu filho da puta.

No fim, Rafael já estava recebendo o que merecia, mas como Ana já não estava ali para finalizar o trabalho, isso cabia à Gabriela agora. Ela foi até o chicote, pegou-o e caminhou até Rafael, imaginando qual seria a melhor forma de concluir a vingança.

Foi então que finalmente ouviu passos pesados vindo em sua direção, mal teve tempo de olhar na direção da porta quando um policial se atirou em sua direção, levando os dois ao chão. Ele a imobilizou com eficiência e em questão de segundos o quarto estava repleto de oficiais. Gabriela se debateu e gritou, tentando se libertar, mas isso não foi o suficiente.

Eles a levaram até a delegacia, e uma vez lá, passou um bom tempo isolada em uma cela. Ela sabia que sua vida estava acabada, não se importava muito com isso, mas queria ter matado Rafael antes. Suas últimas palavras para o homem custaram caro, ela poderia tê-lo enforcado naquele tempo.

Quando finalmente amanheceu, um policial foi até sua cela. Gabriela não tinha vontade de resistir ao seu destino, porém continuou sentada no chão.

– Você está livre – falou o policial enquanto abria a cela.

– O que?! – Gabriela se levantou. – Como assim?

– Conseguimos acordar a vítima e entender o que aconteceu. Ele disse que você o salvou, então está livre. – O policial semicerrou os olhos. – No entanto, continuaremos com a investigação, então não faça viagens por enquanto.

Sem palavras, Gabriela saiu da cela.

– Ficaremos com sua arma também, devolveremos ao final da investigação – completou o policial.

– Eu… acho que não preciso mais dela – falou Gabriela.

O policial apenas deu de ombros. Ela deixou o policial guia-lá, assinou alguns papéis e então saiu da delegacia. Uma vez lá fora, caminhou de volta para sua casa.