Para variar um pouco, não vou ficar aqui comentando sobre o que tem no mangá e falta no anime. Vou focar só no que está na adaptação mesmo.
Neste episódio temos a entrada do Yaguchi no curso de artes, e com isso aparecem conflitos interessantes.
Vou começar pelo que eu mais gostei, que é a óbvia diferença de habilidades entre nosso protagonista e o Yotasuke, um colega do curso. Ele é introduzido como um gênio que é bom até para os padrões do curso. Isso coloca ele meio que numa posição de rival, mas não exatamente aquele rival clássico de anime, onde o protagonista e o rival declaram suas intenções de derrotar um ao outro. Se eu tivesse que definir melhor, Yotasuke apenas faz com que o Yaguchi note o quão atrás ele está em termos de habilidade artística.
Não só o Yotasuke, mas alguns outros colegas causam este mesmo efeito. O Hashida (cara das tranças), possui um conhecimento de “apreciação” de arte (que vou comentar em seguida), junto com uma capacidade de criar obras diferentes. A Kuwana possui algumas técnicas diferenciadas para dar destaque nas obras.
O curso tem essa função na história de mostrar mais do que os outros são capazes de fazer, até porque cada um veio de um lugar diferente, com professores diferentes. E isso desperta em nosso protagonista aquele senso de inferioridade, tão comum em todos que tentam melhorar em alguma área de atuação e acabam interagindo com pessoas na mesma jornada.
Junte isso com o que eu disse antes sobre “apreciação” da arte, e temos um episódio que abre as portas para os próximos passos do Yaguchi como protagonista. Como apreciar uma obra? Que obra é boa? Como fazer uma boa obra?
Neste episódio, quando eles vão ao museu, o Hashida faz uma leve comparação das obras de arte como comida. E acho que ele não poderia estar mais certo nessa analogia. Afinal, comida é algo tão pessoal, e os gostos variam tanto, que não existe um consenso do que é bom. Claro que sempre teremos os críticos que avaliarão a receita pelas mais diversas características de preparo e ingredientes, notando os mais sutis gostos em seus tão refinados paladares. Mas no fim, só sabe se é bom quem come.

O mesmo se aplica à arte. Sempre vai ter a academia elogiando algo e dizendo o quão importante é para a área, mas (e aqui é minha opinião), não é bem assim que funciona. Você só vai gostar do que gostar, e então vai procurar justificativas por ter gostado. O mesmo se aplica para o que não gostar.
Por isso a parte do museu tem uma importância grande na história. Ao comparar arte com comida, Hashida torna mais fácil para o Yaguchi entender o que gosta. E, claro que ele ainda não sabe exatamente o que gosta, mas está no caminho de descobrir isto, já que ele começa a experimentar coisas diferentes no final do episódio.
Me identifico bastante com esse momento do protagonista, porque eu não tenho nenhum background acadêmico e essas questões sobre o que é bom ou ruim me afetaram bastante quando comecei um curso de escrita criativa, e muito do material que tinha para ler eu não gostava. E a verdade é que está tudo bem em não gostar de algo. Isso não quer dizer que vou ignorar tudo que não gostar, mas sim que vale a pena largar aquele livro em que cada página lida é um sufoco. O que não podemos fazer, e é bom pontuar isso, é ficar para sempre em nossa zona de conforto. Às vezes precisamos sair e experimentar algo diferente, mesmo que no fim a conclusão seja que não gostamos, porque, de uma forma ou de outra, isto ampliará nossos horizontes.




