Semanário de Animes – Blue Period #3

Para variar um pouco, não vou ficar aqui comentando sobre o que tem no mangá e falta no anime. Vou focar só no que está na adaptação mesmo.

Neste episódio temos a entrada do Yaguchi no curso de artes, e com isso aparecem conflitos interessantes.

Vou começar pelo que eu mais gostei, que é a óbvia diferença de habilidades entre nosso protagonista e o Yotasuke, um colega do curso. Ele é introduzido como um gênio que é bom até para os padrões do curso. Isso coloca ele meio que numa posição de rival, mas não exatamente aquele rival clássico de anime, onde o protagonista e o rival declaram suas intenções de derrotar um ao outro. Se eu tivesse que definir melhor, Yotasuke apenas faz com que o Yaguchi note o quão atrás ele está em termos de habilidade artística.

Não só o Yotasuke, mas alguns outros colegas causam este mesmo efeito. O Hashida (cara das tranças), possui um conhecimento de “apreciação” de arte (que vou comentar em seguida), junto com uma capacidade de criar obras diferentes. A Kuwana possui algumas técnicas diferenciadas para dar destaque nas obras.

O curso tem essa função na história de mostrar mais do que os outros são capazes de fazer, até porque cada um veio de um lugar diferente, com professores diferentes. E isso desperta em nosso protagonista aquele senso de inferioridade, tão comum em todos que tentam melhorar em alguma área de atuação e acabam interagindo com pessoas na mesma jornada.

Junte isso com o que eu disse antes sobre “apreciação” da arte, e temos um episódio que abre as portas para os próximos passos do Yaguchi como protagonista. Como apreciar uma obra? Que obra é boa? Como fazer uma boa obra?

Neste episódio, quando eles vão ao museu, o Hashida faz uma leve comparação das obras de arte como comida. E acho que ele não poderia estar mais certo nessa analogia. Afinal, comida é algo tão pessoal, e os gostos variam tanto, que não existe um consenso do que é bom. Claro que sempre teremos os críticos que avaliarão a receita pelas mais diversas características de preparo e ingredientes, notando os mais sutis gostos em seus tão refinados paladares. Mas no fim, só sabe se é bom quem come.

O mesmo se aplica à arte. Sempre vai ter a academia elogiando algo e dizendo o quão importante é para a área, mas (e aqui é minha opinião), não é bem assim que funciona. Você só vai gostar do que gostar, e então vai procurar justificativas por ter gostado. O mesmo se aplica para o que não gostar.

Por isso a parte do museu tem uma importância grande na história. Ao comparar arte com comida, Hashida torna mais fácil para o Yaguchi entender o que gosta. E, claro que ele ainda não sabe exatamente o que gosta, mas está no caminho de descobrir isto, já que ele começa a experimentar coisas diferentes no final do episódio.

Me identifico bastante com esse momento do protagonista, porque eu não tenho nenhum background acadêmico e essas questões sobre o que é bom ou ruim me afetaram bastante quando comecei um curso de escrita criativa, e muito do material que tinha para ler eu não gostava. E a verdade é que está tudo bem em não gostar de algo. Isso não quer dizer que vou ignorar tudo que não gostar, mas sim que vale a pena largar aquele livro em que cada página lida é um sufoco. O que não podemos fazer, e é bom pontuar isso, é ficar para sempre em nossa zona de conforto. Às vezes precisamos sair e experimentar algo diferente, mesmo que no fim a conclusão seja que não gostamos, porque, de uma forma ou de outra, isto ampliará nossos horizontes.

Semanário de Escrita #2

Essa semana não foi muito legal não. Saio dela com um saldo de 2.973 palavras escritas (minha meta semanal são 5.000). Terça-feira eu não escrevi porque… bem, feriado né? Todo mundo precisa descansar. E como nesse feriado eu acabei mestrando uma sessão de RPG, acordei na quarta com as ideias dessa história na cabeça, então virar a chavinha foi difícil. Quinta-feira foi simplesmente uma vergonha, sofri durante uma hora e nem escrevi nada palpável, mas pelo menos serviu para planejar aí os próximos passos da história. Só na sexta-feira que tive algum progresso, ainda que meio penado.

Minhas ideias para a semana eram finalizar um capítulo de Pria e iniciar um capítulo novo de Hakan. De certa forma consegui isso, mas não fui muito longe com Hakan. O problema do meu método de escrita é que ele envolve planejar os eventos na história um dia antes e os detalhes desses eventos eu crio enquanto escrevo ali na hora mesmo. Um grande problema dessa semana foi uma cena de espionagem com Hakan, e eu não lembro de ver ou ler nada de espionagem nos últimos anos. Não precisa ser um gênio para saber que ficou meio meh.

Pelo menos coloquei as coisas no papel, junto a algumas anotações do que melhorar. E já estou buscando algumas referências de espionagem aqui para não apanhar do mesmo jeito em cenas similares.

Semanário de Animes – Blue Period #2

Semanário de Anime #2 – Blue Period

Blue Period

Mais uma vez aqui falando de Blue Period, desta vez com foco no episódio 2.

Durante todo esse episódio, perdura a questão de Yaguchi contar aos pais, mais especificadamente para a mãe, que quer entrar em uma faculdade de artes.

E eu vi todo o episódio, mas o ponto alto dele, onde o Yaguchi conversa com a mãe e pede permissão para ir na faculdade de artes, não me comoveu.

Talvez seja porque eu já sabia o que estava por vir, mas no To Your Eternity eu lembrava de tudo e ainda assim chorava igual bebê nos episódios tristes. Então lá fui eu de volta pro mangá tentar entender o que aconteceu.

E era justamente o que eu temia, tivemos alguns cortes (de novo) no anime. Eu realmente não queria ficar falando deles o tempo todo, então vou ser breve. Em uma passada rápida, encontrei uma cena (logo antes do Yaguchi na banheira) em que a mãe dele conversa com o pai sobre a escolha do filho de ir para uma faculdade de artes (ela já tinha descoberto dando uma xeretada antes). É um trecho curto, mas reforça um pouco da relação de família e o trecho final diz que deveriam apoiar o filho não importa o que ele escolhesse.

Também tem o fato de que essa cena da conversa entre mãe e filho acontece um pouco mais tarde no mangá, depois inclusive que o Yaguchi entrou no curso. Então ele segurou essa informação por mais tempo, ficou inclusive pagando o curso do próprio bolso. Acredito que este fato acabou criando uma desconfiança na relação entre os dois.

Por isso eu acho que esse episódio acabou “falhando”, faltou um peso por trás de tudo que aconteceu, foi rápido demais. Inclusive a frase dela enquanto chora “Obrigada por confiar em mim”, representaria bem o problema da relação entre os dois. Não que tenha ficado horrível no anime, mas acho que poderia ter um pouco mais de cuidado no timing dos eventos.

Eu vou continuar vendo, mas acho que sei o resultado que o anime vai ter em mim, e estou temeroso por isso.

Semanário de Escrita #1

Esse semanário de escrita vai ser mais uma forma de eu vir aqui prestar contas e tentar resumir um pouco o que escrevi no período. De repente até me ajuda a escrever mais, sei lá.

Enfim, essa foi uma semana produtiva até. Saí dela com um saldo de 4.168 palavras escritas e só não foi mais porque fui obrigado a madrugar por conta de uns problemas do meu “trabalho oficial”.

Como eu mencionei em uma postagem anterior de atualizações sobre o blog, estou escrevendo uma alta fantasia com uma sociedade militarizada. Atualmente a história está acompanhando de perto dois personagens, Hakan e Pria, enquanto eles adentram o exército como recrutas. E o foco dessa semana foi Pria, com um foco secundário em uma colega de esquadrão.

Aproveitei que esta colega de esquadrão, possui uma grande ambição dentro do exército e joguei algumas informações sobre as divisões do mesmo no texto. Em resumo, o exército como um todo se divide em:

  • Infantaria: O grosso do exército, praticamente onde todos os outros recrutas são alocados após completarem o treinamento.
  • Hospitaleiros: Galerinha que cuida dos feridos. Estou com muita vontade de mudar esse nome, mas como não me aprofundei muito no funcionamento desta divisão, vou deixar assim.
  • Concebedores: Fiquei relutante em colocar essa divisão na história, mas ela é essencial. Seria basicamente um setor cujo único propósito é se reproduzir, e nele são alocados aqueles com boa genética, mas que não tiveram bom desempenho no treino. Vou ter que cuidar muito quando escrever sobre ele, porque a última coisa que quero é que entendam-no como uma fetichização.
  • Invictos: A elite da elite. Basicamente aqueles que você manda para resolver qualquer parada mais cabulosa e os caras vão lá, resolvem tudo e voltam para casa como se fosse um dia normal. Ninguém sabe ao certo como funciona a alocação nos invictos e vou deixar de mistério por enquanto.

E por enquanto é isso. Junto com essa miríade de coisas que eu vou pensando, também vou anotando um monte de assuntos para pesquisar. Até agora eu tenho… bem, muita coisa para estudar, principalmente em relação a exércitos, tanto modernos quanto antigos, além de hierarquias. É foda porque sou aquela pessoa que caga para qualquer filme de guerra e os únicos postos que conheço são o de capitão, soldado, cabo e general. O resto pra mim é tudo igual.

Tirando essa ladainha de exército, também estou tentando aprofundar a relação de Pria com os demais membros do esquadrão. É difícil, principalmente que ela é uma personagem tímida, e os sedaras normalmente são uns malucão que só pensam em glória e morte. Porém acho que estou fazendo um bom trabalho, obviamente não vou conseguir aprofundar a relação com os 7 membros, mas trabalharei nos mais importantes.

Por essa semana é isso. Não é para levar nada do que estou colocando aqui como coisas fixas na história, até porque eu vou revisar tudo depois.

Semanário de Animes #1 – Blue Period

Para me ajudar a analisar o que estou vendo no momento, e também para comentar sobre o que gostei de assistir, vou criar o semanário de animes. Um espaço para que comentar sobre o que andei assistindo. Vou começar lentinho, só vou comentar sobre Blue Period no semanário, por enquanto.

Blue Period

Eu conhecia o mangá antes de saber que ia sair o anime, e justamente por isso Blue Period era o anime que eu mais esperava nessa temporada. Eu gosto da forma que o autor trata questões de confiança, temática e apreciação da arte, além de relacionar isso com os problemas pessoais de cada um.

O primeiro episódio nos introduz ao protagonista Yaguchi Yatora, um rapaz no ensino médio que os demais consideram inteligente e sociável, mas ele mesmo considera os amigos e notas como um grind de RPG, basta ficar horas e horas se dedicando nisso que vai ficar bom. Eu pessoalmente gosto do Yaguchi porque no início ele faz as coisas sem paixão. É aquele sentimento de “vou fazer isso aqui porque é o que esperam de mim”. Ele dá muito valor à forma que os outros veem ele. Eu mesmo considero a amizade do grupinho de bebedeira dele muito superficial no início.

E isso é bom, tem muito espaço para crescer aí. O próprio Yaguchi sabe que a forma como ele vive ali não é boa, inclusive em um momento se pergunta porque tudo é tão sem sentido.

As coisas começam a mudar quando ele esquece um maço de cigarros na sala de artes e volta depois das aulas para buscá-lo. Nesse momento ele se depara com um quadro grandão de uma das alunas.

Uma coisa que gosto no mangá são as obras, todas muito bonitas quando devem ser.

Mas enfim, ele encontra o Ryuji Ayukawa (vou chamar de ele por enquanto, já que é a forma que o Yaguchi o trata), e ali eles discutem um pouco, inclusive a professora interrompe e conversa com ele um pouco sobre arte e faculdades de arte.

Quantos não fazem isso sem saber?

Depois dessa conversa já dá para ver que o Yaguchi começa a encarar as coisas de uma forma diferente, inclusive na próxima saída com os amigos tenta comentar algo sobre o cenário, mas por um comentário do cara ele fica envergonhado.

Em seguida ele encontra a Mori (a pintora do quadro grandão) carregando materiais para a sala de arte e dá uma ajuda para ela. Acho interessante a conversa que os dois têm, pois ele comenta sobre ela ser talentosa, no que a Mori respondi dizendo que ela apenas passa mais tempo pensando sobre arte do que a maioria das pessoas. E isso eu adorei, principalmente porque odeio o conceito de talento. Até acredito que existe uma predisposição a algumas coisas (alguém ter um senso de cores mais aguçado ou um corpo que ganha músculos mais facilmente por exemplo), mas essa disposição não é melhor que passar horas e horas refletindo e aprimorando suas habilidades.

Na próxima aula de artes, o Yaguchi começa a pintar o exercício que a professora pediu, e começa a fazer isso de forma dedicada mesmo. Inclusive vou ressaltar alguns pensamentos dele aqui:

“Como posso recriar aquele clima preguiçoso?”

“Expressar que gosto de alguma coisa é assustador”

“Por que não pintei isso antes?”

Grande parte do charme do anime são esses momentos, e não porque eu gosto de escrever e entro aí na categoria de “arte”, mas acho que qualquer pessoa que faz algo que realmente gosta pensa sobre essas coisas. Como tirar algo da minha cabeça e transpor para a realidade? Vão me julgar por estar aqui abrindo meu coração? Por que eu não sou tão bom?

Depois de terminar e expor as pinturas, os amigos do Yaguchi começam a tentar adivinhar o que ele fez. O próprio Yaguchi, com vergonha de admitir, fica quieto e não comenta muito. Isso até que um deles acerta o que ele quis representar (Shibuya pela manhã) e então nosso protagonista desaba em lágrimas. Achei um pouco exagerado, mas é bem gostoso ver algo que criamos ser apreciado, então aceito isso.

O resto do episódio é ele comentando que fez a pintura sem qualquer pretensão de ter uma carreira como artista e que vai continuar estudando para uma faculdade “normal”, mas é claro que ele não consegue parar e fica desenhando em casa e durante as aulas.

Aqui o anime comeu umas cenas do mangá que acho muito importante comentar. Um dos amigos do Yaguchi vê ele desenhando durante as aulas e comenta com os outros dois sobre isso. Um deles até fala que o Yaguchi não tinha nenhum hobby antes e eles se perguntam se é isso que ele quer da vida. Eu acho essa cena MUITO importante, porque muda a forma como eu vejo esses amigos. Antes era “aqueles caras com quem eu saio” e agora eles passam a realmente ser amigos, pessoas que se preocupam com o cara. Não sei porque tiraram, talvez por tempo mesmo, mas achei uma pena.

Alguns painéis da cena cortada

O episódio acaba com o Yaguchi falando com a professora sobre a faculdade e se alguém como ele conseguiria entrar.

Achei o anime um pouco apressado demais, acho que poderiam ir com um pouco mais de calma nas cenas e não pular aquela que comentei. Mesmo assim vou ver os demais e tentar comentar por aqui.