Atualização sobre o site

Okay, está na hora de tirar o pó do site e tentar botar movimento nele. É surpreendentemente difícil mantê-lo atualizado, principalmente porque o conceito inicial era ser um blog só de contos, mas não consigo manter uma produção de histórias tão grande assim (uma vez por mês para mim é bastante coisa), ainda mais agora que estou focado em histórias mais parrudas.

A primeira coisa que quero dizer é que finalizei uma novela recentemente. Não lembro se falei dela antes aqui, mas é uma no mesmo universo de “A Caverna”, mas desta vez apresentando uma raça diferente: os auás.

Eles são pássaros humanoides que vivem em cidades construídas junto a árvores gigantes. Resolvi utilizar como base alguns pássaros relativamente comuns aqui de onde eu moro (joão-de-barro, sabiá laranjeira, rolinha picuí, quero-quero) e alguns que não vi pessoalmente, porém achei que seria interessante para dar mais uma variedade (ararajuba e o príncipe).

A história terá um foco em um barreiro alcoólatra que ouve vozes e vive de emprego em emprego. Pensei em dar um foco mais interior do que exterior, já que a origem dos problemas do barreiro é a própria cabeça.

Se tudo der certo, talvez essa história saia numa revista em breve.

Agora sobre projetos maiores. Eu estava tocando um romance que era uma mistura de fantasia urbana e horror psicológico, mas depois de terminar a primeira parte do livro notei que não estou preparado para ele ainda, então engavetei o que tinha pronto e futuramente dou uma olhada. Foi uma decisão difícil, mas a história vinha se arrastando a meses e eu não ficava contente com o resultado que eu tinha ao final de uma sessão de escrita, e como para mim esse processo precisa ser divertido (nem que seja de vez em quando), cheguei a conclusão que deveria deixar ele de lado. Posso reaproveitar essas ideias em outro lugar ou continuar a história quando eu souber melhor como entrar nesse mundo do horror.

Entrando no lugar dela está uma de alta fantasia. Se passa no mesmo mundo da história dos auás e gararas, mas agora com o foco em outra raça (por enquanto estou chamando de sedara), uma guerreira e altamente nociva para o mundo.

Vai ser um pouco diferente do que fiz antes porque o foco da história estará espalhado em mais personagens, até o momento tenho 4 para quem pretendo dedicar capítulos e mais 8 ou 9 secundários.

Ela ainda está no início, tenho algumas ideias de final, mas vou deixar a parte do meio para bolar no momento de escrever mesmo (funciona melhor assim).

Vou tentar trazer detalhes do que andei escrevendo ao longo da semana aqui no blog. De repente me ajuda a continuar o livro até o fim e posso analisar o que escrevi já que me obrigo a colocar minhas ideias em local público.

Por fim, mas não menos importante, fiz algumas alterações no layout do site e criei uma página exclusiva de obras publicadas, então para quem está chegando agora e quiser ver o que publiquei “oficialmente” (coloco parênteses aqui porque tem os contos que eventualmente jogo aqui no site e eles não estão nessa página).

Jornada pela Magia – Pré-venda e Sinopse

Como prometido, segue a sinopse de Jornada pela Magia:

Na cidade decadente de Estrinia, onde reina a desordem e insegurança, artefatos mágicos são acessórios destinados apenas aos mais abastados. Usando sua inteligência, mão leve e seu fascínio por magia, Urin rouba estes itens dos ricos para dar a ele mesmo.

Sua rotina muda drasticamente ao conhecer Krestan, um sujeito portando um artefato tentadoramente poderoso. Após ajudá-lo a se esconder da guarda da cidade, o homem revela conhecimentos avançados em magia e uma missão: encontrar sua mestra. Assim, armado com sua confiável adaga e sua arrogância, Urin parte com Krestan em busca da tal mestra, além, é claro, de aprender e roubar o que puder no caminho.

O caminho até Tesna, a capital da magia, é apenas o começo de uma aventura maior ainda, com mistérios empilhados sobre a origem de Krestan e do grupo que o persegue, cuja influência vai além de qualquer cidade.

JORNADA PELA MAGIA é uma história de ação e aventura, acompanhando um personagem solitário enquanto ele é moldado por eventos que vão muito além do que um ladrão qualquer deveria presenciar.

Curtiu a sinopse? Então passa na Amazon e da uma olhada no livro, está com um descontinho bacana na pré-venda. O link para o livro é esse.

Jornada Pela Magia – Capa

Acho que não tem nada melhor para apresentar o livro do que a capa, então segura que lá vem!

Capa de Jornada pela Magia

Em Jornada Pela Magia, você vai acompanhar a história de Urin, um ladrão que abandonou sua gangue por ser um aficionado por artefatos mágicos. Planejando roubos na outrora gloriosa Estrinia, ele encontra um homem cujo artefato faz os olhos de Urin brilharem e, fazendo jus à sua profissão, entra em ação um arriscado plano para roubar o artefato. Este é apenas o começo de uma série de eventos que carregarão Urin no caminho da magia e seus perigos.

Se interessou? Então fica ligado que em breve colocarei a sinopse oficial junto com o anúncio da pré-venda e data de lançamento.

Gostou do estilo da capa? Talvez queira visitar o artista: https://linktr.ee/rodrigorizo

Jornada Pela Magia – Anúncio

Para quem me conhece, já sabe que venho trabalhando neste projeto há um tempo (alguns anos). Para quem não me conhece muito, cá estou eu para falar dele.

Como todo bom fã de fantasia, eu obviamente comecei a escrever por esse gênero. Foi um caminho complicado (quem diria que ver meia dúzia de aulas no YouTube não me faria um mestre escritor na hora, não é mesmo?), mas finalmente o projeto entra nas etapas finais.

Jornada pela Magia traz muitos elementos que sempre gostei em livros de fantasia: sistema de magia, poderes incríveis, antagonistas perigosos e uma história que nunca fica parada no mesmo lugar, sempre revelando algo novo ou levantando novos mistérios.

Vou revelar mais detalhes ao longo do tempo, então, se você se interessa por histórias de fantasia em outro mundo, fica ligado que vem coisa por aí!

Pequeno Ladrão

Mais um conto! Escrevi esse como parte de um grupo de escrita. A temática era livre, só deveria obedecer a regra de que o personagem principal não poderia falar. Dessa vez eu trouxe uma arte junto para dar um pouco mais de cor e vida para a história. Se quiser visualizar o conto em pdf, pode baixá-lo através deste link.

O camundongo invade um escritório iluminado pela luz da lua. Passa por pilhas de livros no chão, desviando deles o rabo sujo de tinta fresca. Sobe em um caixote de madeira, pula no assento almofadado, escala o encosto e salta para cima da escrivaninha.

Se aproxima de uma caixa de madeira com flores entalhadas e trancada por um cadeado. Coloca as patinhas dentro da fechadura e as remexe até ouvir um clique. No interior do recipiente encontra uma joia vermelha brilhante. O rato a pega, virando-a de um lado a outro.

O cômodo é iluminado. O roedor se vira, encontrando na porta uma mulher em suas roupas de dormir; um orbe luminoso flutua ao seu lado. A mulher o encara, levanta uma sobrancelha e depois franze o cenho, movimentando devagar a mão até a cintura. De lá, puxa uma varinha e aponta na direção do rato, que pula ao chão logo antes que um símbolo arcano surja e dispare um raio, atingindo a escrivaninha e lançando lascas de madeira queimada ao redor.

O camundongo coloca a joia na boca e aterrissa nas quatro patas, correndo para longe do móvel destruído. Mais ataques são lançados, atingindo o chão e os livros. O ladrãozinho nota uma tapeçaria pendurada próxima a janela e corre para lá. Pula em sua direção e se agarra nela, apenas para largar momentos depois, quando uma nova magia atinge o tecido. Não demora para o fogo tomar conta.

A mulher grunhe e brande a varinha na direção das chamas. O rato não perde tempo e foge do cômodo. Sua tranquilidade não dura muito e logo é perseguido novamente.

Passam pelo corredor, onde vasos são destruídos, pinturas são estragadas e paredes implodem conforme o roedor esquiva de cada um dos ataques. O caos se espalha por toda a mansão até que os envolvidos chegam no hall de entrada, onde a porta para a liberdade está entreaberta.

O rato avança até a saída, porém, antes que a alcance, a porta se fecha, trancando até mesmo a fechadura. O fujão decide correr para a esquerda, contudo, uma parede de pedra se ergue, impedindo sua passagem, ao tentar a manobra na outra direção, outra parede. Em um piscar de olhos, não há para onde seguir senão para trás.

Ele se vira para a bruxa, ficando em pé sob as patas traseiras e levantando as dianteiras. A mulher, com o peito subindo e descendo em ritmo frenético, sorri com o canto da boca e se agacha, estendendo a mão.

O rato puxa a joia boca afora enquanto sua cauda se move rapidamente. Segundos depois, enfia a gema na boca e fica sob quatro patas.

A bruxa exibe uma carranca e brande sua varinha. Um símbolo arcano surge e um raio é projetado na direção do animal. A magia, no entanto, dá meia volta quando algo brilha logo atrás do alvo. O disparo passa a centímetros do rosto da mulher, fazendo-a cair de cócoras; um rombo se abre na parede e lança poeira para todo lado.

O camundongo passa por sua vítima e foge pela recém-aberta saída, onde a grama é alta e a escuridão da noite o camufla.

Não demora muito para que o ladrão se afaste da mansão e chegue até um homem de vestes pretas. Ele sobe pelas roupas até chegar na altura do ombro, botando para fora a joia. O sujeito guarda o objeto no bolso e alcança um pequeno pedaço de bolacha para o rato, que o devora com avidez.

O homem acaricia a cabeça do companheiro e passa uma folha de papel no rabo dele, removendo os traços de tinta que sobraram. Então se afastam, deixando para trás a mansão e os gritos de frustração que preenchem a madrugada.

Resenha – Filhos da Degradação

Filhos da Degradação se passa em Untherak, uma cidade onde praticamente todos os seus habitantes vivem uma vida de merda e devem louvar a deusa Una, caso contrário terão uma vida pior ainda. As poucas exceções são as figuras de poder, que fazem questão de usar sua posição para sair em vantagem em relação aos demais.

A história alterna entre poucos momentos no passado e a maioria no presente. A narrativa é muito boa e o livro, apesar de longo, não foi cansativo em momento algum. Sempre tinha algo acontecendo e movendo a história. Até mesmo o pequeno infodump que ocorre no começo possui uma serventia mais para frente (porém ainda acho que poderia não ter ele). O mundo possui um clima sombrio e pesado, e os personagens refletem bem esse clima com negativismo, antipatia e inimizade.

O mundo se resume à cidade de Untherak. Claro, existem coisas além, mas temos tão pouca informação que nem vale a pena citar. Com destaque nas raças, achei os anões e sinfos os mais desenvolvidos, acho que faltou um pouco de atenção aos kaorshs (humanos não precisam de atenção, todo mundo sabe como funciona). Também senti falta de uma explicação para o processo de recrutamento de Autoridades, me pergunto qual o método que usam para só deixar babacas no poder.

Os personagens são bons e diferentes entre si, mas faltou desenvolvimento e uma demonstração de como se aproximaram. Entendo que isso foi feito “fora de cena”, mas poderia ser narrado como se aproximaram e entenderam uns aos outros. Da forma que ficou parece que ficaram amigos de uma hora pra outra.

O final deixa um gancho enorme para o próximo livro que, para minha tristeza mais profunda, não foi lançado até o momento.

Link para compra: Intrínseca

Pequena Estrela Brilhante

Voltando agora a publicar os contos. Conforme prometido, vou tentar publicar um por mês. Tentei fazer algo mais emocional neste aqui. Como sempre, se quiser visualizar o conto em pdf, pode baixá-lo através deste link.

Conheci minha pequena estrela brilhante há muito tempo. Mesmo desejando-a, eu estava confusa, talvez até assustada. O que exatamente eu faria com aquela estrela? Seria eu a pessoa mais capaz para cuidar dela? Ela brilharia para todos verem?

Nunca fui capaz de responder tais perguntas, pois o mundo se move mais rápido do que as pessoas e precisei correr atrás dele para fazer o que pudesse ser feito. Quando a estrela chegou, foi como se minha vida finalmente saísse do breu diário. Tudo, apesar de novo, era claro, vivo e movimentado. Teve muita correria, vezes em que eu pensei ser incapaz, indigna daquilo que tinha em minhas mãos, apenas para me arrepender momentos depois e desejar nunca mais ter tais pensamentos.

Eu tenho tantas memórias, tão boas e alegres, tristes e frias, todas tão importantes e pequenas, detalhadas. A primeira vez que andou se destaca especialmente até hoje. Aqueles pés diminutos erguendo um corpo ainda instável, um para a frente e depois o outro, em rápida sucessão. Tão rápido como começou, ela caiu. Talvez nem tenha durado mais que dois segundos, mas até hoje essa memória sobrepõe tantas outras de momentos que duraram horas, mas que minha estrela não estava presente.

Minhas partidas sempre eram complicadas, um desequilíbrio preenchia meu ser, mas não foi nada comparado a quando ela partiu pela primeira vez. Depois de muita pesquisa, perguntas que me faziam parecer uma interrogadora da polícia, conversas com outros pais, finalmente fui capaz de escolher uma creche e deixar minha estrela lá. Aquilo sim foi nervosismo, um dia inteiro praticamente sem trabalhar, olhadas frequentes ao relógio, demandas ignoradas e ligações para a creche. E quando voltei para buscá-la, lá estava, como sempre esteve. O segundo dia não foi ausente de ansiedade, nenhum foi na verdade, mas aprendi a lidar com a ausência, a confiar na creche, naquelas pessoas estranhas que cuidavam da minha estrela enquanto eu não podia.

Ela cresceu, ficou esperta, até demais. Tinha uma mente igual um raio, uma hora aqui, outra hora ali. Perguntas e perguntas, precisei dar meu jeito de responder a maioria delas. Porém, mais uma vez eu era limitada em minhas capacidades e ficou ao cargo da escola ensinar muitos outros assuntos. Era estranhamente curioso e até engraçado como sua mente continuou afiada, mas parte da empolgação sumiu ao lidar com professores.

A tão grande questionadora de tudo se aquietou, mas seu brilho estava lá, pronto pra ser direcionado a assuntos que lhe interessavam. E eu a vi brilhar mais que tudo, mais que qualquer estrela no céu, quando começou a cantar. Eu nunca entendi de música, nem ao menos um pouco. Completamente sem ritmo, como dizia meu marido. Mas eu não precisava entender de música para sentir a voz da minha estrela, nunca precisei. Bastava fechar os olhos e se deixar levar. Não me importei muito se ela era boa ou ruim, eu estava apenas contente de ver sua luz alcançar níveis tão intensos.

Nem tudo são flores, porque estrelas tem seu lado obscuro também. As vezes esse lado aparecia por coisas simples, mas que desencadeavam alguns dias de mau humor, caretas e silêncio. Às vezes eram as notas, outras eram o comportamento. Até discutimos uma vez por conta do namorado. Tempos conturbados esses, mas todos foram superados e a luz de minha estrela sempre voltava.

E é por isso, por tudo isso que senti e passei, que vivi e imaginei, que sonhei. Por tudo isso, eu me pergunto, por que minha estrela teve que ser levada? Por que o mundo, a vida em si, consegue ser tão cruel? Onde está minha estrela?

É tudo tão cinza agora, tão silencioso e de alguma forma, barulhento. Por que não tentaram mais? Fui a única que ficou com ela até o fim. Nem doutores ou meu marido insistiram até o fim. “Não temos mais o que fazer”, “Por favor, descanse um pouco”. Todos eles! Malditos!

O que eles não sabem é que eu ainda não desisti. Não vou parar. Eles estão errados, pois ela não se foi para longe, apenas precisam saber onde olhar. Cegos diante de tamanha sabedoria científica que carregam. Cegos para o que realmente importa. Eu vou olhar em tudo, vou encontrá-la e trazê-la de volta, porque minha pequena estrela deve continuar brilhando.

Primeira Publicação em Revista e Metas para 2021

Publicação

Primeiro, eu gostaria de anunciar meu conto “A Caverna” foi selecionado para a 7ª edição da revista Literomancia. Sinceramente, é algo que me deixa muito feliz e serve bem para marcar o início de um ano em que pretendo me dedicar mais à escrita. Quem quiser dar uma conferida, pode acessar a página por aqui https://revistaliteromancia.wordpress.com. É de graça e diversos outros contos aparecem na revista, então é um prato cheio para quem gosta de acompanhar ficção especulativa.

Metas

As metas não são nada grandiosas ou impressionantes. É mais para eu ter uma ideia do que fazer ao longo do ano e ajeitar coisas que deveria ter feito há algum tempo. Sem mais delongas, vamos lá.

Frequência de Posts

Atualmente não tenho frequência alguma no que posto aqui, mas mais por falta de planejamento do que desinteresse mesmo. Vou tentar publicar ao menos algum conteúdo por mês. Poderá ser resenha, que eu gosto de fazer mais para dar visibilidade a algum livro recente ou pouco conhecido (apesar que resenhei alguns bem conhecidos), ou uma história, onde tentarei sempre ter uma temática ou algo novo para mostrar.

Também vou tentar (foco na palavra tentar) comissionar algumas artes para incrementar as histórias. Acho que fica bacana botar uma representação visual de monstros ou seres que descrevo.

Projetos

Tenho atualmente 3 projetos em andamento. Um deles é um livro, trabalhei nele nos últimos anos e está nas etapas finais. Com sorte eu lanço ele no primeiro semestre e anuncio aqui. Vai ser só e-book e vou tentar colocar um preço bacana, algo entre R$7 e R$15. Anunciarei por aqui quando lançar.

O segundo é outro livro, que se tudo der certo, termino o manuscrito ainda esse ano. Sendo o meu segundo livro, vou tentar dar uma incrementada nele com alguns desenhos, mas não vou anunciar muito sobre ele.

O terceiro é uma combinação de livro e contos que irei publicar aqui ao longo do tempo. Como fantasia sempre foi meu foco, estou aos poucos elaborando um universo ficcional e pretendo ir mostrando ele aos poucos. Introduzindo raças, a sociedade, as particularidades do mundo. O livro mesmo eu só vou escrever no final, quando já tiver o mundo elaborado e uma história na cabeça. Inclusive, o conto publicado hoje se passa nesse universo.

Resenha – Máscaras para os Mortos

Máscaras para os mortos é uma fantasia sombria, e faz jus ao gênero. Desde o começo ele cria um clima pesado e incerto em um mundo cruel. Este clima se mantém pelo livro inteiro, e isso se vê nos detalhes, desde as descrições de deformidades em criaturas monstruosas até diálogos e relações entre os personagens.

Os primeiros capítulos são lentos, focando na explicação do mundo e dos protagonistas. Entendo que por se tratar de um mundo novo, explicações são necessárias, mas talvez fosse possível atenuar os infodumps espalhando-os mais ao longo da narrativa. Porém, quando o livro pega no tranco, se torna mais dinâmico, os infodumps diminuem consideravelmente e a leitura se torna prazerosa.

A história de Hakim, um dos protagonistas, me pareceu um pouco desinteressante no início, mas conforme a trama se desenrola, o personagem em si se torna muito mais interessante e proativo, indo atrás de mistérios e conspirações que ameaçam o reino de Var Khalad.

Em compensação, a história de Moira deslancha desde o início, por apresentar uma situação mais difícil e ameaçadora à personagem, e por consequência, dar a ela um objetivo claro. A constante mudança que Moira sofre ao longo do livro cobra o preço em seu psicológico, que se torna cada vez mais frio, e a garota termina o livro irreconhecível. E para mim, pelo menos, parece que até se esqueceu que procurava por sua família.

É impossível não falar também de Sev, que apesar de possuir poucas cenas, me chamou muito a atenção por ser tão (ou até mais) carismático que os protagonistas. O ladrão velho, com problemas de coluna que arquiteta um roubo magnífico, por vezes é o que move a história de Moira, e justamente por causa disso acabo considerando ele um dos protagonistas. Como todo bom ladrão, ele não chama a atenção nos eventos grandes, mas seu dedo está sempre em algum acontecimento.

Os diferentes tipos de magia também chamam a atenção, tanto por sua criatividade quando pela forma bizarra com que funciona. A taumaturgia utiliza-se de fluidos corporais injetados para dar diferentes habilidades aos seus usuários, os taumaturgos. A necromancia pode parecer clichê, mas a meu ver, o autor deu aplicações criativas o suficiente para superar esse problema. Também há outras magias pouco explicadas no momento, mas imagino que terão seu destaque em obras futuras.

Não posso deixar de comentar sobre a qualidade técnica. Para uma obra independente, não deixa devendo em comparação à publicações tradicionais. O vocabulário rico do autor também merece destaque (e agradeço ao kindle pelo dicionário embutido), pois sabe-se que construir um bom vocabulário requer muita leitura e pesquisa. Obviamente, ele não é livre de defeitos. Existem alguns poucos erros de português, mas não atrapalham na apreciação da obra. Acredito que o autor poderia ter focado um pouco mais em demonstrar a emoção dos personagens, por vezes acaba resumindo demais o que os personagens sentem e sinto que uma atenção mais cuidadosa a isso aumentaria a qualidade geral.

Além do mais, o preço está super em conta neste momento, quem tiver interesse, aproveite.

Onde comprar: Amazon

Resenha – A segunda morte de Suellen Rocha

Com a finalidade de dar uma movimentada a mais no blog, vou começar a postar resenhas de livros que eu for lendo. Foge um pouco do objetivo do blog, mas resenha é uma forma de escrita, então ta valendo pra mim. Só cuidado que a resenha possui spoilers ein.

O livro é nacional e foi lançado a pouco pela editora Avec, tem versões em ebook e digital, e se você tiver o Amazon prime, custa um total de 0 reais. Vamos então ao que interessa.

A história é um suspense envolvendo 4 mulheres, que em sua adolescência assassinaram alguém e resolvem manter isso em segredo para o resto da vida. Isso fica bem óbvio logo no prólogo e ao longo da história são dados detalhes sobre os motivos do assassinato. No primeiro capítulo, uma destas 4 mulheres morre, revivendo a história que todas tentavam esquecer e dando início a toda trama.

De longe, o ponto mais forte do livro são os personagens. Nenhum deles é inteiramente bom ou inteiramente mal, todos estão em um meio termo perigoso. Esta representação é tão humana que chega a ser assustadora. Atos de maldade são, na cabeça dos personagens que cometeram o ato, justificados através de uma lógica distorcida que os exime da culpa. Até mesmo Max tem em sua mente uma justificativa bizarra que o estupro de Suellen na verdade não foi um estupro, foi o clássico: Ela estava pedindo por isso.

A autora possui um domínio da escrita, as descrições e a prosa são muito boas. O próprio diálogo é bem real e, apesar de ter momentos em que não ficava muito claro quem estava falando, não tenho do que reclamar.

O mistério por trás de quem era o assassino acaba não sendo o ponto forte da história, com os pensamentos do assassino logo na primeira parte, e a apresentação de Davi como sendo uma pessoa religiosa que não se dava bem com a irmã, é possível ligar os pontos. Achei interessante que, mesmo ele sendo um dos principais antagonistas, no fim era apenas uma vítima de um ciclo de ódio propagado pela igreja e de um grupo de aproveitadores que usaram seu ódio para fazê-lo matar. Com isso, a história mostra que qualquer pessoa, nas condições certas, é capaz de realizar atrocidades, às vezes por necessidade, às vezes por motivos que nem entendem direito.

A conclusão da história no geral foi boa, porém seu único defeito foi ser um pouco conveniente demais. Não acho crível que alguém como Garanata não manteria alguém de guarda no caso de André Peralta, o investigador que sabia dos crimes na cidade e poderia estar indo atrás dele, aparecesse.