Alys – Elemento Alpha

Conheci o livro na Odisseia Fantástica de 2021, no painel “Aventura, dragões e masmorras: uma jornada por reinos de fantasia” (inclusive recomendo ver a live quem puder). Lembro que achei interessante a conversa entre os participantes, e quando fizeram o clássico jabá de seus livros, fui atrás deles. Se não me engano, Alys – Elemento Alpha estava de graça, ou com um preço irrisório e peguei junto com os outros anunciados na live. Inclusive toma aqui o link para comprar: https://www.amazon.com.br/dp/B088RKW4CN

Demorou um tempo para eu pegar o livro e ler, já que eu estava com outros itens na lista infinita de leitura, e quando cheguei nele, já nem lembrava da sinopse (eu li quando comprei, mas a memória de peixe não ajuda). Eu sabia que tinha algo de metal e magia, então abri o livro com isso em mente e comecei a leitura.

Ah! Antes de começar a falar do livro, já adianto que isso aqui não é uma resenha, é um comentário com spoilers. Então não leve a sério demais o que eu escrever aqui, mas se quiser contestar algum ponto, sinta-se a vontade.

O livro de cara apresenta uma linguagem simples, o que não é um problema, e logo de cara somos apresentados a nossa protagonista Alys, uma adolescente que é mantida em casa pelo seu pai, só podendo sair em exceções. Como toda pessoa nessa idade, contê-la é difícil e não demora muito para vermos as brigas dela com o pai.

A exposição inicial do mundo me deu a entender que a história se passa em um planeta terra alternativo, onde começaram surgir metais que se fundiam aos seres vivos. Então animais e plantas foram modificados, incluindo os humanos que passaram e ter dois corações (Seria esse o início dos timelords?) e com a tecnologia deu um salto impressionante.

Não demora muito para que Alys acabe saindo de casa (saída autorizada neste caso) com seu amigo Kyer. E nessa saída ela começa a despertar poderes e a interagir com o mundo mágico “oculto”. Coloco este oculto entre aspas porque a maioria dos humanos não tem ciência da magia, mas, pelo que entendi, ela sempre esteve por lá. Inclusive, bem mais para frente, é explicado que antes a magia era conhecida por todo mundo, e devido a desastres, passou a ficar oculta. Então temos aí um mundo que iniciou banhado em magia, uma galera fez merda, a magia “diminuiu” e então os humanos com o passar do tempo ficaram ignorante desta magia, mas algumas famílias mantiveram esse conhecimento.

Essa ocultação da magia é interessante, mas me causa um certo desconforto, porque eu não consegui entender direito porque ela ficou escondida, sendo que um dia ela vai voltar e ficar aparente para todo mundo. De repente eu não peguei este detalhe no livro, ou talvez a autora explique nos próximos, mas não vi uma razão de manter a população ignorante da magia. Mas ok, é só um detalhe e não atrapalha a obra em quase nada.

Focando um pouco mais nesses detalhes de magia, agora indo para um lado mais estético. Minha visualização mental das descrições da autora são bem interessantes, um mundo em que o metal e o orgânico se misturam é bem atrativo, e dá um ar punk na coisa. Justamente por isso algumas habilidades que demonstram ao longo da narrativa tem um quê de magia com um quê de tecnologia.

Mudando de assunto e nos aproximando dos personagens, devo dizer que o diálogo é bem cativante e as interações entre personagens não deixam a desejar (a maioria delas). Toda cena casual é levada com bom humor e provocações, isso dá um tom bem leve ao livro (inclusive vi que o livro é classificado como Infantojuvenil no Skoob, o que faz todo o sentido).

As relações entre os personagens são bem construídas (com exceção do romance, mas toco nisso em breve). Kyer e Alys interagem demonstrando a amizade que cultivaram ao longo dos anos, e Evan consegue ser provocativo em praticamente cada frase que solta, tudo isso sem nos cansar durante a leitura.

Meu problema mesmo foi na hora do romance, que naturalmente tenho uma certa aversão. O primeiro relacionamento que se forma, Kyer com Tayla, começa aceitável, evoluiu rápido demais para o meu gosto, mas né, é a vida. Mas então acontece aquela cena durante o juramento à profecia, em que o Kyer discute com Tayla sobre ela ser meio bruxa ou coisa assim, e isso estragou o relacionamento dos dois ao meu ver. Ficou uma sensação de que o relacionamento se formou somente para passar ali uma mensagem de que não importa sangue ou raça. Não que um livro não deva passar essa mensagem, mas não teve o build-up necessário para ela ter o impacto que deveria. Eles só se conheciam há uma semana!

E também temos Alys e Evan, que não rola nada, mas qualquer um lendo o livro nota para onde a coisa está indo. Não que eu tenha algo contra esse relacionamento em específico, mas ficaria tão mais bonito se Evan tivesse entregado o coração dele (literalmente) para Alys por um motivo diferente, como uma lealdade com base na confiança e na missão que os dois possuem. E já que o Evan acaba em coma no final do livro, imagino que o segundo vai ser uma jornada para acordar ele, e que quando acordar a relação entre os dois vai aflorar.

Focando um pouco mais na história agora, a autora começa com o tropo do escolhido (o que não me agradou muito de cara), mas trabalha bem ele. Alys ainda tem os poderes diferenciados, mas precisa aprender a usar eles, e também há uma constante pressão para que ela cumpra a profecia. Porém, acho que o diferencial está no final da história, onde ela acaba falhando parcialmente. Seu pai acaba morto, Evan em coma, e o Helix leva consigo um pouco de magia (aquele negócio da esfera no final). Isso ajuda a dar uma quebrada naquela lógica de que o escolhido nunca falha (não muito, mas ajuda).

Os vilões, infelizmente, acabaram ficando meio caricatos. Os diálogos envolvendo eles sempre parecem que estou vendo um filme da Disney e no fim eles são malvados porque sim. Por sorte eles aparecem pouco, então só senti isso em partes específicas.

Se eu tivesse que definir mais um ponto negativo, seria a repetição de algumas coisas. Alys faz muitas perguntas, e eu, como leitor, sei disso porque leio todas as perguntas e os personagens reagem de forma crível a isso, então fica repetitivo quando ela, no parágrafo seguinte às perguntas, diz que faz muitas perguntas (eu sei que você faz muitas perguntas Alys, eu li todas as 27 na sua última fala). Ela também acaba se repetindo um pouco quanto as provocações de Evan, bastante até. Na verdade isso até me leva a crer que a personagem goste de se repetir, e se for este o caso, está (quase) tudo bem.

E é isso, no geral foi uma leitura que me agradou. Vou ler, eventualmente, os próximos livros. Só espero que eles mostrem Alys transformando o cajado em nunchaku e sentando o pau em alguém, porque se tem uma coisa que eu fiquei com vontade de ver, foi isso.

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